
GOLEIROS
31/3
Barbosa, o injustamente
condenado
Ele certamente é o goleiro brasileiro mais lembrado de todos os tempos por uma
única e fatal falha: aquela ocorrida no segundo gol do Uruguai na final da Copa
do Mundo de 1950. O gol marcou a carreira do grande Moacir Barbosa, que até sua
morte, em 2000, lamentava-se em entrevistas, afirmando que a pena máxima de
prisão prevista pelas leis brasileiras é de 30 anos, mas a condenação dele
foi perpétua.
O lance já foi repetido à exaustão: Gigghia entra em diagonal pela direita e
chuta entre Barbosa e a trave. O gol deu ao Uruguai seu segundo título mundial
e provocou a maior tragédia do futebol tupiniquim, lembrada toda vez que a Seleção
Brasileira enfrenta os uruguaios. Poucos consideram o clima de “já ganhou”,
a troca de concentração, a visita inoportuna de políticos na véspera da
decisão e o desempenho abaixo da média da Seleção Brasileira no jogo,
certamente provocado pela bagunça antes do jogo. Determinou-se que a culpa era
de Barbosa e ponto final.
Esta culpa pesou tanto que praticamente foi apagado da memória coletiva o fato
de ele ter sido o maior goleiro da história do Vasco, de ser seguro, elástico,
dotado de excelente senso de colocação, arrojado e jamais temer mergulhar nos
pés dos adversários. Também era um emérito “catador”de pênaltis. E foi
eleito melhor goleiro do Mundial de 50.
Começou no extinto Comercial, de São Paulo, no final da década de 30, e
depois foi para o Ipiranga, também da capital paulista. Jogou no clube carioca
de 1945 a 1955 e de 1958 a 1960, conquistando vários títulos. No mais
importante deles, o Campeonato Sul-Americano de Clubes Campeões, em 1948 no
Chile, defendeu um pênalti batido pelo grande Labruna, do River Plate, e
garantiu com grandes defesas o 0 a 0 que garantiu o troféu ao Vasco.
Nada disso era lembrado e Barbosa sofria muito. Chegou a ser humilhado em 1993,
quando uma emissora de TV o levou a um treinamento da Seleção Brasileira que
se preparava para a Copa do Mundo do ano seguinte para uma entrevista. Foi
expulso sob a alegação de que “dava azar”.
Alguns, como Pelé, foram mais gentis. O “Rei” deu a ele a camisa com a qual
jogou contra o Uruguai na Copa do Mundo do México, em 1970. Mas atitudes como a
de Pelé foram exceções. Somente pouco tempo antes de Barbosa morrer o Vasco
decidiu pagar a ele o aluguel de um modesto apartamento na Praia Grande.
Também virou tema de filme: O curta “Barbosa”, de 1988, dirigido por Jorge
Furtado e Ana Luiza Azevedo, e com Antônio Fagundes no elenco, conta a história
de um homem que volta no tempo com a missão de impedir o gol que derrotou o
Brasil na Copa do Mundo de 1950 e garantir o triunfo do goleiro.
Moral da história: Barbosa é, infelizmente, a personificação de como às
vezes o esporte pode ser cruel com os supostos perdedores.
Milagre
O destaque do fim de semana foi o goleiro Márcio, do Paulista de Jundiaí.
Contra o Palmeiras, fechou o gol, com várias defesas importantíssimas. A mais
espetacular delas foi no chute de Baiano, que o surpreendeu. Mesmo assim,
mostrou agilidade ao espalmar a bola que bateu no travessão e subiu e reflexo
ao evitar que, na volta, ela entrasse no gol. A adrenalina foi tanta, que teve
de ser substituído no meio do segundo tempo em função de câimbras. Por essas
coincidências, após a saída de Márcio o Palmeiras arrefeceu seu ritmo de
jogo. Outro que merece os parabéns é Fábio, do Vasco. Ao defender a cobrança
de Sérgio Gomes, na decisão por pênaltis contra o Friburguense, levou seu
time à final da Taça Rio.
Frango
Nenhuma falha de grande vulto. O reserva Andrey, do Grêmio, saiu
estabanadamente no gol do Glória, mas não foi um erro dos piores e como o
tricolor gaúcho passou à final de seu grupo contra o Inter, a falha será
esquecida. Não concordo com os que disseram que Carroll, do Manchester United,
falhou no gol de Thierry Henry. O mérito foi do atacante do Arsenal, que deu um
chute com força e efeito à la Marcelinho Carioca, Neto e Nelinho.
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